Sabe aquele momento quando percebemos alguma coisa nova e uma sensação diferente parece acender por dentro, mesmo que tudo à nossa volta pareça inalterado? Esse movimento acontece no nosso cérebro e quebra o ritmo automático do nosso sistema de percepção da realidade, por uma descarga de noradrenalina.
O cérebro humano opera como um sistema em camadas, dividido em três elementos integrados que trabalham em harmonia: o instintivo, o emocional e o racional. Essas camadas afetam umas às outras e interagem por meio de substâncias chamadas de neurotransmissores pequenos mensageiros químicos que transmitem informações dentro do cérebro. Cada neurotransmissor tem um papel específico e essencial.
Neurocientistas explicam que a noradrenalina é liberada diante de estímulos inesperados e emocionalmente relevantes. Quando ela entra em cena, o cérebro se torna mais seletivo, mais responsivo e mais aberto ao desconhecido.
A noradrenalina é uma substância produzida pelas glândulas adrenais e neurônios do sistema nervoso simpático, responsáveis por preparar o cérebro para o novo. Ela atua como um modulador neuroquímico e influencia grandes funções cognitivas e emocionais. Sua ação é silenciosa, mas muito potente:
• Acelera o processamento cognitivo
• É essencial para manter o foco seletivo, redirecionando a atenção para o que é relevante
• Reforça a consolidação da memória
• Aumenta a velocidade de resposta (tanto física quanto mental)
• Regula o humor
• Ajuda a consolidar novas memórias e aprendizado
• Aumenta o estado de alerta
• Mobiliza e aumenta a disponibilidade de energia
• Combate desânimo, o cansaço, desmotivação, estados depressivos e a dificuldade de concentração.
Podemos dizer então que a noradrenalina funciona quase como um remédio natural. Deve ser por isso que nossos olhares se atraem instintivamente para tudo que é novo, pois nosso corpo recebe uma descarga elétrica de elementos vibrantes, capazes de nos colocar em estado de alerta.
Quando comecei a trabalhar com Foresight, me intrigava com a sensação constante de estímulo profundo, não apenas pelos resultados provenientes do processo, mas pela jornada em si. Aos poucos, percebi que aquilo não era apenas uma resposta emocional ou intelectual: era biológica, pois o futurismo, afinal, trabalho em contato direto com aquilo que é inédito.
Isso explica também o hiper engajamento das pessoas durante o processo, pois quando saem da lógica de um presente imediato e são confrontados com cenários de futuros desconhecidos que expandem seus horizontes, imediatamente acionam seu sistema de alerta interno. Um cenário bem construído funciona como um disruptor cognitivo, gerando micro descargas de noradrenalina no corpo.
Nesse sentido, o futurista é uma espécie de engenheiro de tensões saudáveis: ele projeta disrupções cognitivas que ativam no interlocutor o foco mobilizador. Em última instância, o bom foresight estimula o que poderíamos chamar de estado noradrenérgico criativo um estado mental estimulado e motivado para ação, um tipo de presença ampliada que se manifesta quando a mente encontra propósito e o corpo reconhece relevância.
Num mundo onde quase tudo compete pela atenção, o futurismo rouba a cena. Além disso, ele nos ajuda a focar a atenção naquilo que importa, e se torna ainda mais relevante, porque conseguimos senti-lo, além de compreendê-lo.
Podemos dizer então que futurizar é, também, neuroplasticidade estratégica. Seu valor está no retorno que oferece, mas também no estado mental que provoca, que interrompe a inercia e traz mais dinamismo para as organizações, provocando estados de atenção concentrada e criando momentos em que as pessoas parem, sintam e digam: “espera, nunca tinha pensado nisso”